Você não vai conseguir ver se eu te mandar a foto. Mas eu peguei um cabelo seu aqui.
Passei a mão no rosto e na cabeça e ele enroscou na minha mão. Como cê já fez muitas vezes me encontrando, como já fez comigo na vida. O engraçado é que já faz um tempinho que você não vem aqui em casa, no meu quarto, na minha cama. Mas ele insistiu em ficar aqui e enroscar em mim. Deve ter ficado no travesseiro, esse danado. Só pode ser. É sempre de lá que vem seu cheiro, seu perfume, que eu lembro quando deito. Mesmo você não estando lá, mesmo depois de eu lavar. É na hora que eu me deito sozinho que ele vem, o cheirinho, o mesmo que eu sinto quando estou chegando perto do seu carro, de onde vou te encontrar, de você.
A morada que você fez aqui não some, não muda. E se dias difíceis vierem, mesmo sabendo que você vai querer enfrentar tudo sozinha, eu vou estar aqui. Sabe... me deixa confuso às vezes isso. Eu te admiro muito por ser forte, querer ser forte, e enfrentar isso do seu jeito, da sua forma e valorizar tudo isso. Respeito isso. Faz parte do que me faz te amar, do que constrói esse muro, os tijolos... Só que ao mesmo tempo eu não consigo ver você enfrentando tudo sozinha, se isolando, passando por coisas internamente que você não precisa passar, porque você me tem, existe esse apoio, essa companhia. Eu sei que você sabe disso, eu sei. Mas acho que talvez ainda não internalizou ou não entenda, que pra muitas coisas (na verdade pra tudo), você não está mais sozinha. Você entende?
"Tô aqui já, acho que você já sabe" e não pretendo ir embora.

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