domingo, 3 de junho de 2018

   Eu sei, eu fui abrindo a porta, entrando sem bater. Eu sou meio assim, faço isso às vezes. E foi com tanta naturalidade, que digo que me surpreendi. Fui me sentindo à vontade também, de estar ali, poder tirar o calçado, afrouxar o cinto, como se fosse eu sem mais ninguém, na minha casa, sabe? Quando a pessoa se sente acompanhada de si mesma. Daí pude ser eu, me abrir, e sentar ou deitar se jogando, com o corpo meio torto, com a barriga frouxa, sem murchar.
   Você não pediu, não convidou, mas por alguma razão não precisou ou não fazia diferença, aconteceu mesmo sem convite. Já tão à vontade, fica agora essa coisa de "me instalo?", vou embora? Num sei... tô chegando.
   O olhar e a forma de falar e agir sem insegurança são tão bons de sentir quando eu tô aqui que eu não quero sair, ir embora. E eu não preciso sair quando quero voltar pro meu ou fazer minhas coisas. Essas coisas são daquelas que funcionam diferente, meio além da nossa compreensão, sabe?
   Num me impede de ficar aqui não. Eu sei que a gente sofre, que dói e que é difícil, ainda mais passando tudo que você passou. Eu também passei por coisas. "Todo mundo tem uma história, passa por algo" lembra? "Num tem como a gente adivinhar essas coisas, relaxa".    

   Então, sabendo disso tudo, eu peço pra que você tenha paciência comigo, com as minhas instabilidades, e prometo tentar buscar cada vez mais sinceridade, e ter paciência contigo também, eu já tenho. Também tô aprendendo e entendendo isso de não ser a única pessoa a estar aqui ou ter entrado, e ter morada. É que é difícil, né? É sempre um aprendizado, fugir dessa insegurança e vozinha na mente que diz que existe competição. 
   Eu já entrei, to aqui, e cê sabe, só tá dando uma fugida, mas tudo bem. Não precisa ter medo. Seu coração é grande e cabe bastante gente por bastante tempo. Uma vida toda.

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